domingo, 1 de janeiro de 2012

Mudanças coletivas se iniciam com a vontade individual, se passarem pelo "argumento da hipocrisia" dos acomodados

Não sei por qual razão do subconsciente, também faço parte do imenso grupo de pessoas que delimitam datas para começar ou recomeçar projetos, mudar certas atitudes, enfim, para colocar seus planos em prática. Meu consciente sabe que começar dietas na segunda-feira e tentar ser mais legal, mais esforçada, menos preguiçosa e pródiga a partir de 1° de janeiro é uma tendência bem bobinha, mas nem sempre é possível resistir às coisas tolas... Sendo assim, aproveito que é começo de ano e, olha que lindo!, esse ano começa justamente em um domingo, o Dia do Senhor e o primeiro dia da semana, para colocar uma das minhas resoluções de início de ano em prática: voltar a escrever para o mundo, ainda que eu escreva apenas bobagens ou, pior!, minhas bobagens nem ao menos sejam lidas. Como eu já havia escrito uma vez, não tenho a intenção de contar a minha vida (porque, ao contrário da maior parte das pessoas que eu conheço, não acho que geral esteja interessado nela), nem de tentar mudar o mundo, mas sei lá, de repente, se alguém ler e repensar determinados assuntos ou me trouxer novos aspectos a respeito deles ou mesmo se sentir contemplado com um modo parecido de pensar, mas a falta de tempo não tenha permitido compartilhar, aqui está o meu palavrório. Divirta-se... ou não.
Como o tema sugerido pelo “1° de janeiro” foi “mudança”, vamos lembrar que 2011 foi um ano e tanto! Foi o ano em que multidões do mundo todo começaram a se organizar para tentar mudar seus países e, assim, suas próprias vidas. Por ora, não discutirei se essas multidões realmente conseguiram o que queriam, acho que isso já seria tema para um outro texto, mas convenhamos que essas organizações são positivas, na medida em que demonstram o desejo de mudança.
Muitos tentam negar, mas a sociedade e a economia mundial, tais como estão organizadas, não satisfazem grande parte da população mundial, pois é excludente, se pensarmos nos seres humanos, e destruidora, se pensarmos no nosso planeta. Não precisamos ser versados nas ciências para que possamos perceber que caminhamos para um futuro desastroso para todas as massas. E eu espero que a maioria não seja tola a ponto de se considerar fora das massas... Vivemos em busca da realização de sonhos ilusórios vendidos por artigos eletrônicos e muitos não são capazes de admitir que nunca alcançarão a riqueza, a beleza perfeita e o poder. Dessa forma, é natural que um número cada vez maior de pessoas deseje mudanças. Ainda que pequenas, ainda que apenas como reações, o fato é as mudanças são ansiadas.
O problema é que, se por um lado, as mudanças são desejadas, por outro lado, existe a preguiça e a acomodação. Há diversos níveis de ação e de acomodação: existem aqueles que fazem das mudanças uma bandeira, que querem ver a sociedade se modificar tanto na essência quanto na forma e para isso não medem esforços, sendo que se dividem em pacíficos e violentos; também conhecemos aqueles que pregam mudanças parciais e aqueles que pregam mudanças mínimas e pontuais, e a cada um corresponde um tipo de ação. Atualmente, essa última classe de “reformadores” tem mais adeptos, talvez porque demanda menos tempo de reflexão e a ação costuma se resumir a muxoxos, vídeos, imagens e petições nas redes sociais. No entanto, ou meu ver, não cabe a ninguém criticá-los, pois, mesmo que suas ações sejam pequenas, ainda são ações e um começo de reflexão.
Aliás, a prática da crítica vazia e na intenção de diminuir a ação alheia é muito típica dos acomodados por excelência. É muito comum que essas pessoas acusem os outros de hipócritas por, pelo menos, modificarem algumas atitudes (ainda que pequenas) e/ou se esforçarem para mudar outras. Para essas pessoas, é mais fácil tentar demover seus conhecidos de seus propósitos de mudança do que admitir a própria fraqueza ou preguiça. Os acomodados ainda dizem que nenhuma pequena ação é capaz de mudar qualquer coisa, mesmo sabendo que pequenas ações individuais unidas podem se tornar grandes ações coletivas. É claro que é ingenuidade acreditar que somente as pequenas ações, normalmente feitas pela internet, serão suficientes para mudar alguma coisa, é preciso muito mais do que isso, é preciso sair da “zona de conforto” para se chegar a resultados efetivos, mas o mínimo que as pessoas se dispõem a fazer já melhor do que nada. E, se mesmo saindo da “zona de conforto”, ainda somos chamados de hipócritas pelos acomodados, é pela necessidade dessas pessoas em desvalorizar tudo o que não são capazes de fazer ou entender. Sendo assim, se você sentir vontade de agir, seja com um clique ou de maneira radical (respeitando a integridade física e moral de seus semelhantes... na maioria dos casos) vá em frente! Um pouquinho feito por muitos, pode se tornar muito! Só não vale se acomodar nos cliques, certo? Ok, está certo, pode ser uma coisa de cada vez... ;)

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